História
A história do povo Tabajara é marcada por resistência, ancestralidade e pertencimento. Esta página reúne relatos, documentos e memórias que preservam a trajetória da comunidade.
Origens e o Significado da Identidade
- Etimologia e Raízes: O nome Tabajara significa "dono da casa". Historicamente, o grupo é originário da Serra da Ibiapaba, no Ceará, mas manteve vínculos com o entorno da serra mesmo após as migrações para o Piauí.
- Histórico de Migração: A chegada em Piripiri intensificou-se por volta da década de 1930, impulsionada pela fuga da seca e pela busca por melhores condições de vida. O Cacique Zé Guilherme relata ter entrado no Piauí ainda criança, vindo do Ceará, após episódios de violência onde seus antepassados foram "caçados a dente de cachorro".
- O Sangue e a Miscigenação: O documentário "O Povo Tabajara de Piripiri" aborda a complexidade do desaparecimento aparente da etnia devido à miscigenação precoce com colonizadores portugueses no século XVI 5. Embora se fale em um "sangue enfraquecido" pela mistura, o reconhecimento atual foca no "entrosamento" e na retomada da sabedoria ancestral, como o respeito à natureza.
Organização Territorial em Piripiri
O NEABI realizou um mapeamento que identifica cinco núcleos principais de ocupação:
- Tabajara Tucuns: Grupo familiar extenso (mais de 100 pessoas) no bairro Floresta (zona periurbana).
- Tabajara Ypy: Comunidade na zona rural, abrangendo povoados como Canto da Várzea e Malhadinha.
- Barro: Grupo concentrado na área de Pequi, zona rural, região rica em sítios arqueológicos ainda não catalogados pelo IPHAN.
- Tabajara Colher de Pau: Distribuídos no bairro Petecas e no assentamento Nossa Senhora dos Remédios.
- Tabajara Itacoatiara: Famosos por organizar a primeira associação indígena do Piauí, congregando famílias de diversos bairros urbanos.
IDENTIDADE E PROCESSO DE ETNIZAÇÃO
- Autoidentificação: O grupo em Piripiri é formado por famílias que inicialmente se identificavam sob o rótulo genérico de "remanescentes indígenas" antes de assumirem o etnônimo específico Tabajara (além de grupos identificados como Tapuia e Tacariju).
- Associação Itacoatiara: Fundada em fevereiro de 2005, foi a primeira organização indígena registrada no Piauí no século XXI. O nome "Itacoatiara" refere-se a um "lugar de pedras pintadas".
- O Etnônimo Tabajara: A adoção definitiva do nome "Tabajara" consolidou-se por volta de 2009, durante oficinas promovidas pela FUNAI, após um período de busca por um termo que expressasse sua distinção étnica.
CONTEXTO HISTÓRICO E RESISTÊNCIA
As fontes discutem a relação complexa e muitas vezes violenta com a religião oficial ao longo dos séculos:
- As missões jesuítas e capuchinhas (séculos XVII e XVIII) tentaram catequizar os Tabajaras na Serra da Ibiapaba, o que gerou processos de resistência e adaptação.
- Lideranças históricas como Mandu Ladino revoltaram-se contra as ordens religiosas após presenciarem a queima de vestimentas e objetos rituais de seu povo pelos missionários.
ORIGENS E FLUXOS MIGRATÓRIOS
Segue abaixo a lista de itens a serem utilizados:
- Proveniência: As famílias Tabajara de Piripiri descendem majoritariamente de populações da Serra da Ibiapaba, na divisa entre Ceará e Piauí.
- Causas da Migração: Os deslocamentos para Piripiri foram motivados por:
- Condições climáticas: Secas severas forçaram as famílias a buscar recursos em outras regiões.
- Trabalho: Muitos migraram para trabalhar em grandes obras, como a Estrada de Ferro Central do Piauí (RFFSA) e a construção do Açude Caldeirão.
- Invisibilidade estratégica: Durante gerações, muitos ocultam a identidade indígena devido à violência extrema, ao preconceito e a políticas estatais que declararam os índios "extintos" no Piauí para facilitar a expropriação de terras.
CONTEXTO SOCIAL E URBANO
- Territorialidade Urbana: Diferente de grupos em aldeias isoladas, os Tabajaras de Piripiri vivem em contexto urbano, concentrados em bairros como Flor dos Campos, Floresta, São João e Petecas.
- A Pedra do Mercado: Historicamente, muitos membros da comunidade trabalhavam como carregadores (estiva) no Mercado Municipal de Piripiri, onde eram conhecidos pela população local como "os índios".
- Vulnerabilidade: As famílias enfrentaram historicamente a exclusão econômica e a falta de moradia digna, vivendo muitas vezes em casas de taipa ou em áreas de risco.
CONHECENDO A OBRA Histórias, Memórias e Tradições do Povo Indígena Tabajara de Piripiri/PI
- Histórias, Memórias e Tradições do Povo Indígena Tabajara de Piripiri/PI é um livro com autores Indígenas locais da Comunidade Tabajara - Tapuio, Ypi e Itacoatiara, em parceria com o Instituto Federal do Piauí (IFPI) - Campus Piripiri, juntamente com o núcleo institucional do IFPI, Núcleo de Estudos Afro Brasileiros e Indígenas (NEABI) e o programa Federal, Ações e Saberes Indígenas na Escola.
- A obra tem por sua finalidade proporcionar o fácil acesso, tanto linguístico quanto histórico, em conhecimento de origem, tradições e práticas culturais da comunidade Indígena Tabajara do Município de Piripiri / PI.
- O Capítulo 2 apresenta o Cacique Zé Guilherme como o Indígena que estabeleceu condições melhores de vida para as comunidade indígenas de Piripiri, principalmente a Tabajaras, pelo seu histórico de vida, conhecido como um refugiado da seca e fome de sua terra natal (São Benedito Ceará) em suas 23 anos de idade.
- A fenotipagem do Cacique Zé Guilherme reconhecida em seu convívio social Piripiriense e de trabalho, como Estivador fez o mesmo a assumir as suas origens e sua identidade Indigena, conhecido inicialmente pela população como o Índio
- Ele e outras pessoas autodeclaradas indígenas entraram no movimento de emergência étnica em 2005, assessorado pelo Antropólogo Helder.
- Consagrado como o primeiro cacique do século XXI do estado do Piauí, na Assembleia dos Povos Indígenas do Ceará, em Itapipoca (2007).
- Contemplação do reconhecimento de terras Tabajaras em 2021
- Falecimento da esposa, Maria dos Anjos, em 2022.
- O Capítulo 3 apresenta a criação da primeira associação indígena do Estado do Piauí: Associação Itacoatiara de Remanescente Indígenas de Piripiri.
- Líder: Cacique Zé Guilherme.
- União da Comunidade Ypi, do Canto da Várzea.
- Em 2015 a ampliação da Comunidade Indígena Tabajaras, através da criação da Associação dos Povos Indígenas Tabajaras Alongá da Comunidade Oitícica (APOINO)
- Reconhecimento estadual de existência, direitos sociais e acesso a saúde básica e educação para os Indígenas através da Carta de Povos Indígenas do Piauí, em união com o Povo Kariri, em 2016.
- 2016: Primeira Turma da EJA (Educação de Jovens e Adultos)
- Formou 23 alunos (17 a 70 anos de Idade)
- Canto da Várzea
- Criação da LEI 7.389 em 27 de agosto de 2020, que regulariza territórios tradicionais ocupados por povos indígenas.
Anexos:
Referências
- SOUSA, Hélder Ferreira de. Existências resistências, “Aí é apostado, TII!!”: reconhecimentos e identificações indígenas Tapuias e Tabajaras em Piripiri - Piauí. 2019. 253 f. Tese (Doutorado em Antropologia) - Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2019.
- NEABI IFPI PIRIPIRI. Documentário O Povo Tabajara de Piripiri. Piripiri: YouTube, [s.d.]. Disponível em: https://youtu.be/15lRtbVJQ68?si=B39eZLcFa6MVfRcL. Acesso em: 17 jan. 2026.
- OBS: Está faltando a referencia sobre o livro: Histórias, Memórias e Tradições do Povo Indígena Tabajara de Piripiri/PI.